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Atrás do Mundial de Futebol

Junho 18, 2010

O projecto “Jornalismo e Cidadania” vai andar, por estes dias, atrás dos programas de informação que falem do Campeonato do Mundo de Futebol da África do Sul. Queremos, acima de tudo, saber quem são os convidados dessas emissões e que estratégias aí são desenvolvidas para integrar o telespectador nos alinhamentos construídos.

Começámos a nossa análise no dia 11 de Junho de 2010, às 15h00 (momento de arranque da prova), e fizemos o primeiro ponto da situação, tendo em conta a programação emitida até às 15h00 do dia 18 de Junho de 2010. Nos canais generalistas (RTP1, SIC e TVI), procurámos analisar todos os programas de informação. Nos canais temáticos (SICN, RTPN, TVI 24), detivemo-nos nos formatos temáticos de futebol e nos formatos generalistas (fóruns de discussão), quando as respectivas emissões se centraram neste desporto. A nossa análise totalizou 148 emissões.

Esperávamos mais abertura à participação do público. Mas ainda vamos na primeira semana do Mundial…

Telespectadores excluídos da TV do futebol

Embora feitos para captar o interesse do público, a verdade é que os telespectadores continuam fora dos alinhamentos dos programas de informação que têm o Mundial de Futebol como mote. Das 148 emissões analisadas, apenas 23 integram quem vê televisão e quer participar. Destacam-se aqui os habituais programas que abrem completamente a emissão aos telespectadores (através da participação por telefone, por exemplo) e aqueles que prevêem a participação por outros meios (blogues, mails, entre outros), como é o caso de À Noite, o Mundial (RTPN). O e-mail e o telefone são os meios mais utilizados.


Plateaux sem convidados

Grande parte dos programas do Mundial não tem um formato aberto a convidados. O mais habitual é encontrarmos apenas o apresentador em estúdio. Sozinho. A preferência pelo género noticiário e por emissões de curta duração pode ajudar a explicar esta ausência de convidados em mais de 68% das emissões informativas. Há apenas uma excepção a esta tendência de não trazer ninguém a estúdio ou apenas trazer um convidado (16.9% das emissões): o Prós e Contras da RTP1 que, no dia 14 de Junho, debateu o futebol com mais de uma dezena de convidados.

Quem tem acesso aos plateaux dos programas que falam do Mundial?

* Jornalistas/analistas, ex-futebolistas e treinadores são as categorias profissionais mais solicitadas para participar em programas de informação sobre o futebol. As restantes categorias são em número reduzido.

* Grande parte dos convidados que vêm a estúdio falar de futebol têm uma ligação profissional ao próprio campo. Apenas 16.4% das pessoas têm profissões sem relação directa com o desporto (são escritores, actrizes, autarcas…).

* São, sobretudo, masculinas as vozes que falam de futebol: 95.6% dos convidados são homens. O discurso feminino é muito residual e pertenceu, neste tempo, às seguintes mulheres: Ana Candeias, Inês Pedrosa, Judite França e Patrícia Tavares. A TVI foi o canal que, em tempos de transmissão de futebol em canais concorrentes, valorizou a presença feminina em estúdio.

* Mais de metade dos convidados (64.8%) são oriundos da zona da Grande Lisboa; 27.4% são do norte. Quem vive no resto do país tem um acesso limitado aos plateaux do futebol

A progressiva visibilidade dos cenários virtuais

Os campeonatos de futebol constituem-se, por norma, como excelentes oportunidades para as televisões ensaiarem novas formas de dar a ver a informação desportiva sobre estes eventos mediáticos. Neste Campeonato do Mundo de Futebol, não têm havido propriamente surpresas ao nível da forma. No entanto, as empresas televisivas têm experimentado pôr no ar os seus programas em cenário virtual. É claro que temos de reconhecer que a maior parte das emissões continua assente em cenários reais, mas o estúdio virtual começa a ocupar um espaço cada vez maior no ecrã de TV, principalmente nos canais temáticos de informação.

Novas tecnologias afastadas do Mundial

O advento das novas tecnologias poderia significar um reconhecimento de novas plataformas para a emissão de conteúdos. No entanto, aquilo que se verifica é um fechamento dos programas de informação às novas plataformas digitais. Em 148 emissões estudadas, apenas 9 efectuaram esse cruzamento com plataformas digitais. Neste campo, convém destacar o À Noite o Mundial, da RTPN, como o conteúdo informativo que mais longe vai na integração destas novas possibilidades comunicativas no alinhamento da sua emissão.

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